quarta-feira, 5 de maio de 2010

Por que a Libertadores mexe tanto com os nervos do futebol brasileiro?
Quanto mais eu assisto aos jogos da Libertadores, menos eu entendo o diabo desse torneio. São Paulo e Universitário é um bom exemplo. Se a gente pegasse o time peruano, com exatamente os mesmos jogadores, o mesmo técnico, a mesma torcida com pinta de que a qualquer hora vai sacar suas flautas e começar a tocar “El Condor Pasa”, se a gente pusesse essa equipe no gramado do Morumbi com a camisa do Ituano e dissesse que o jogo valia pelo campeonato paulista, o São Paulo teria vencido por cinco ou seis a zero, com três ou quatro gols do Fernandinho. Mas como é Libertadores, fica uma tensão, um nervosismo, uma pressa e, consequentemente, uma falta de competência inadmissíveis. Isso talvez explique por que os argentinos têm mais facilidade do que nós para disputar (e ganhar) a Libertadores. Eles jogam com garra, brigam, se entregam, mas fica a impressão de que encaram como uma disputa normal – e por isso conseguem manter seu padrão de jogo. O Estudiantes jogou a primeira partida das oitavas de final, lá no México, com um time misto. Posso imaginar os motivos: o Estudiantes lidera o Campeonato Argentino, deve ter feito algum jogo difícil no fim de semana, a partida contra o San Luís foi na terça-feira seguinte, não pensaram duas vezes: mandaram um mistão e ganharam de um a zero. (Se o Flamengo tivesse feito o mesmo, os resultados dos jogos contra o Universidade Católica e o Botafogo poderiam ter sido diferentes.) Deixa eu perguntar: o São Paulo não sabia que o time do Universitário é de dar dó? O que é que esse pessoal de comissão técnica fica fazendo, que não tem informações detalhadas sobre os adversários? Nem precisa muito trabalho: basta olhar a tabela. Nos sete jogos que disputou, o Universitário empatou quatro deles em zero a zero e marcou apenas cinco gols. O São Paulo já tinha jogado a primeira fora de casa e já sabia que aquele time tem um ataque de riso. Então, pra que Rodrigo Souto protegendo a zaga? Protegendo a zaga de quê? De quem? Não tenho paciência com essa aberração chamada “homem de referência”, mas ontem o Washington tinha que ter entrado de cara. Outra pergunta, agora referente ao Universitário: se um time tem batedores tão horrorosos, por que levar o jogo para a decisão por pênaltis? Ô torneiozinho difícil de compreender! Não vi o jogo todo entre Velez e Chivas, mas o que vi foi emocionante. Os argentinos fizeram o primeiro gol logo aos três minutos (precisavam vencer por quatro a zero), lutaram até o fim, pressionaram o tempo inteiro, perderam uma infinidade de chances, fizeram o segundo no finzinho e saíram de campo eliminados, mas aplaudidos pela torcida. Se bem que não dá pra levar muito a sério uma torcida que incentiva seu time cantando ilá-ilá-ilariê-ô-ô-ô.

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