sexta-feira, 29 de julho de 2011

A fabulosa estreia de Ronaldinho Gaúcho com a camisa do Flamengo.  
Ronaldinho foi apresentado à torcida do Flamengo, na Gávea, no exato instante em que eu era apresentado a mais uma porção de camarãozinho frito com cerveja, lá em Maragogi. Doze de janeiro de 2012, e eu assisti à festa pela televisão. Jamais esperei ver de volta o craque imarcável dos tempos de Barcelona, mas como o Flamengo vinha da sua pior temporada nos últimos cinco anos – a única sem um titulozinho sequer – aquilo era animador. 
Passaram-se seis meses e meio, e Ronaldinho finalmente estreou. Claro que, mesmo com atuações pouco convincentes, o time com ele fica diferente, mais perigoso e muito mais inteligente, mas a conquista do Estadual e a invencibilidade no Brasileirão ainda não tinham sido acompanhadas por uma atuação que justificasse o investimento e a euforia da torcida. Até a última quarta-feira. 
Desconsidero o primeiro gol – que até o Paulo Asano faria, embora o nosso centroavante tivesse perdido um parecido minutos antes –, mas duas jogadas que terminaram com defesas de Rafael, uma devolução para Thiago Neves que o meia concluiu mal, a precisa cobrança de escanteio no terceiro gol, a genial jogada na entrada da área que acabou virando a falta do quarto gol, a tão simples quanto ousada cobrança de falta, o toque preciso no quinto gol, tudo isso foi Ronaldinho Gaúcho em seu estado mais puro. 
Entretanto, mais importante que tudo foi a personalidade. O respeito que impôs. Uma coisa que eu ainda não tinha visto ele fazer (me queixei disso, aqui no blog, naquele empate com o Ceará em dois a dois depois de abrir dois a zero): deixar claro que o dono do jogo era ele. Ronaldinho Gaúcho nunca mais vai jogar o que jogava no início da carreira no Grêmio ou no auge da carreira no Barcelona. Mas se jogar a metade do que fez quarta-feira em Santos, já tá de bom tamanho. 
No mesmo jogo, Neymar estraçalhou. A saber: começou com rapidez e inteligência o lance do primeiro gol. No segundo, invadiu a área naquele ritmo alucinante, e depois da boa defesa de Felipe acabou deixando Borges sozinho debaixo da trave. Fez o terceiro com uma jogada sensacional e um drible antológico no Ronaldo Angelim. Sofreu o pênalti – como sou rigoroso com essa história de pênalti, não concordei com a marcação, mas o juiz deu e quem sofreu foi ele. Fez o quarto em outra arrancada impossível de ser acompanhada. Obrigou Felipe a uma difícil defesa em chute da entrada da área, já no segundo tempo. E, como sempre, apanhou feito boi ladrão. Se o capeta jogasse bola, seria aquilo ali.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Decisões por pênaltis, o amor eterno de Cristian e a invencibilidade do Flamengo.
Não sei se meus filhos vão lembrar, mas há muito tempo eu defendo que a regra do impedimento é impossível de ser aplicada com absoluto rigor e acerto. Se o impedimento tem que ser marcado no momento em que a bola é tocada por quem faz o passe, que diabo de superolho o bandeirinha tem que ter para enxergar, ao mesmo tempo, a hora em que a bola é tocada e a hora em que o atacante dispara, estando um às vezes a trinta ou quarenta metros do outro? Até que um dia um laboratório canadense fez o teste e provou o óbvio: não dá. Pode haver bom senso, experiência e malandragem do bandeira, mas precisão absoluta é humanamente impossível. Apesar disso, a regra do impedimento é uma tremenda sacada, uma das coisas mais bem boladas no jogo de futebol. Agora quero me arriscar em outra loucura. Os jogos de ontem pela Copa Audi não valiam nada, é claro, mas tanto Barcelona x Inter quanto Bayern de Munich x Milan só foram decididos nos pênaltis. Escutem o que o blog tá dizendo: partidas entre equipes equilibradas, que podem ir para os pênaltis, têm todas as chances do mundo de ir para os pênaltis. E não é porque o empate faz parte do jogo, mas sim por algum componente psicológico que impede os dois times de se arriscar e os impele a empurrar a decisão para mais tarde. Assim como no caso do laboratório canadense, ainda hei de ver um conselho de psicólogos, antropólogos e outros ólogos do gênero chegar à mesma conclusão. 
Jogadores de futebol vivem dando exemplos de que a gente precisa deixar de ser bobo e parar de acreditar em asneiras e falsidades. Estou falando do Cristian. Depois de brigar no Flamengo com o técnico Caio Jr. – com razão, porque só mesmo o Caio Jr. para achar que o Cristian podia ser banco do Jaílton –, o volante teve uma passagem muito bem-sucedida pelo Corinthians. Quando foi vendido para o Fenerbahçe, Cristian jurou amor eterno ao timão e chegou a chorar feito criança. Além disso, ele é sempre o primeiro nome nas listas de possíveis reforços do clube. Pois ontem chegou a notícia de que o Cristian acionou o Corinthians na Justiça do Trabalho, pra receber o que o clube lhe deve de direitos de arena. Tá errado? Óbvio que não, pois são coisas distintas. Mas aí, como dizia o velho samba, pra que chorar, pra que sofrer? Os errados somos nós, que insistimos em acreditar em beijos no escudo, declarações lacrimosas e baboseiras do gênero. 
Um dos itens do post de segunda tratou de um certo exagero na diferença de pontos que o Corinthians conseguiu abrir nesse início de campeonato. Outra coisa estranha é a história do Flamengo ainda não ter perdido. O time não é um horror, tem coisas interessantes, pode acertar com dois ou três retoques, mas não dá para entender a invencibilidade – mesmo que ela venha se sustentando às custas de alguns maus resultados, como o empate com o Bahia em Salvador levando gol no último minuto ou o empate de sábado contra o Ceará em Macaé. Mas algo me diz que essa história acaba hoje. Ainda mais porque demos um azar danado: essa noite, na Vila Belmiro, o Santos vai jogar completo pela primeira vez no Brasileirão 2011. Precisava ser hoje?

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Passando o rodo na rodada.
Sábado não vi jogo nenhum ao vivo. Foi dia de visitar Martin, lá no Rio (tem uma foto deliciosa lá no meu facebook), e aí tudo mais perde importância. Mas deixei os jogos gravando e consegui dar uma espiada na preguiça do domingo. Não me surpreendeu o resultado decepcionante do Flamengo, mas fiquei curioso com o que aconteceu no Morumbi. 
Embora seja um esporte coletivo, às vezes a gente consegue identificar um mau resultado por culpa muito mais do ataque do que da defesa, e vice-versa. Ao entrar sem Thiago Neves e Ronaldinho, por causa do terceiro cartão amarelo, e sem centroavante, porque esse não joga nunca apesar de estar em campo sempre, era óbvio que o Flamengo teria muita dificuldade pra fazer gol. Quando conseguiu, cabia ao time segurar a vantagem, porque fazer outro seria impossível. Mas a defesa deu mole, Wellinton cometeu outra das suas ridículas pixotadas, Luxemburgo ajudou com algumas substituições sem nexo, e o Flamengo perdeu a chance de chegar um pouco mais perto do Corinthians. Quanto ao terceiro cartão amarelo de Thiago Neves e Ronaldinho, não acredito em manobra dos dois e prefiro achar que não passa de bazófia e infantilidade do primeiro. Mas a pergunta sem resposta é: por que Thiago Neves e Ronaldinho, que jogam abertos nas pontas e sem responsabilidade de marcar, têm três cartões amarelos em dez jogos? Não dá para entender. 
Jogos como o do São Paulo contra o Atlético Goianiense explicam por que o futebol é o que é, e, mais especificamente, por que o Campeonato Brasileiro é tão bacana. Um: o São Paulo entrou em campo como vice-líder do campeonato, enquanto o Atlético Goianiense estava entre os quatro últimos. Dois: o jogo foi no Morumbi, ilustre casa são-paulina. Três: com oito minutos de jogo, o zagueiro Rhodolfo já tinha feito um a zero. A lógica era que se seguisse uma goleada, ou no mínimo uma vitória confortável. Que nada. Na única vez em que entrou na área do Rogério Ceni no primeiro tempo, o time de Goiás empatou o jogo. E conseguiu empatar de novo, de cabeça (justo o forte da defesa tricolor), no segundo tempo. Rivaldo perdeu um gol que mataria a partida, quando ainda estava dois a um, e Fernandinho perdeu um mais feito ainda, bem no finalzinho. Fosse basquete, e aquele jogo terminaria cento e catorze a trinta. Fosse vôlei, três a zero em menos de quarenta minutos. Como era futebol, deu empate. 
A derrota do Corinthians começa a colocar o Campeonato Brasileiro um pouco menos distante da realidade. O Corinthians fez ótimas contratações, tem um time forte, um bom elenco, bastante sentido de conjunto e talvez seja mesmo o maior candidato ao título, mas é evidente que o Corinthians não é oito pontos melhor que o São Paulo, o Cruzeiro ou o Inter. Alguma coisa nessa pontuação aí está fora de ordem, e é normal que comece a se ajustar. Ralf tem jogado muito, mas vacilou no gol: logo ele, um jogador rápido e firme, foi lento e frouxo na dividida com Wallyson. Pra mim, Renan não teve culpa. Goleiro não pode jogar debaixo dos paus e o cara acertou um chute que nunca mais. 
O pau cantou bonito lá em Volta Redonda, na partida entre Fluminense e Palmeiras. Tiago Heleno, Maurício Ramos, Rivaldo, Márcio Araújo, Gum, Edinho, Diguinho e Fred bateram e apanharam pra valer, parecia um desses jogos de Copa do Brasil em que um dos dois times será necessariamente eliminado. O couro comeu, e mesmo assim as chances apareceram – ao contrário do que houve no jogo de quarta-feira, entre Palmeiras e Flamengo. Maikon Leite perdeu duas grandes oportunidades, Marcos fez duas grandes defesas e Marquinhos precisou marcar dois gols legítimos pra que um valesse. O jogo foi pesado e mostrou dois times com muita vontade. Gostei. Não sou fã do Héber Roberto Lopes, mas se nossos árbitros apitassem como ele apitou ontem e como o Leandro Vuaden costuma apitar sempre, talvez aumentassem nossas chances em competições como a Libertadores e a Copa América, onde frescura não tem vez. Nossos jogadores estão muito mal acostumados.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Torcendo por mais um empate e mais uma vitória nos pênaltis. 
Como esse é o último post da semana, faço questão de registrar aqui minha declaração de torcida para a final da Copa América. 
Apesar de ser bem legal ver a seleção uruguaia jogar – com exceção do Diego Forlán e do Luis Suárez, ninguém manja muito de bola, mas os caras praticam um jogo coletivo que não é toda hora que a gente encontra –, eu vou torcer pra que a partida termine empatada, que a prorrogação termine empatada e que o Paraguai vença a disputa de pênaltis. 
Já escrevi mais de uma vez aqui no blog que sou radicalmente contra decisões por pênaltis: acho que os times devem seguir jogando até que se tenha um vencedor, nem que alguém morra. Todos nós cansamos de jogar peladas que terminavam com o célebre grito de “primeiro gol acaba”, às vezes o tal primeiro gol demorava a sair e nunca vi ninguém morrer lá na Lauro Muller, no Colégio Padre Antônio Vieira ou no campinho do feudo da família Nabuco, ali na Rua Icatu. E como a FIFA só acorda quando absurdos acontecem, como no chute de Lampard que entrou pra mais de meio metro no jogo entre Inglaterra e Alemanha na última Copa, obrigando os caras a pelo menos discutirem o chip na bola ou o auxiliar junto à linha de gol, seria fantástico ver o Paraguai levantar a Copa América sem ganhar um jogo sequer. Talvez a FIFA acordasse pra resolver mais essa bobagem. 
Acho difícil – deve dar Uruguai –, mas vou torcer.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O magnífico Pacaembu.
Ontem fiz minha estreia em estádios paulistas. Tenho vontade de ir à Vila Belmiro, ao Morumbi, dizem que o Canindé é divertido, mas o que eu queria mesmo era conhecer o Pacaembu, por tudo que os amigos paulistanos sempre me falaram dele. E todos tinham razão. Trata-se de um excelente estádio para se assistir a jogos de futebol, numa região bonita, central, com acesso fácil de metrô, uma bela praça na frente, arquitetura lindíssima e, pelo menos assim me pareceu, ótimo campo de visão de qualquer lugar onde se esteja. Não ter jogo da Copa do Mundo no Pacaembu é um absurdo, mas isso fica para o post que prometi ontem. 
A partida em si foi truncada, com defesas bem armadas, marcação firme e – problema crônico no Flamengo do Luxemburgo e no Palmeiras sem Valdívia – os dois times sem ligação para o ataque. Mas uma coisa me chamou a atenção. Eu já vi o Pelé quebrar a perna de um volante alemão, e ali aprendi que, no futebol, se você só apanhar sem reagir não vai andar em campo. Já vi o Gérson quebrar a perna de um zagueiro peruano. Vi o Botafogo ganhar de seis a zero do Flamengo, e o Flamengo ganhar de seis a zero do Botafogo. Vi quando Fio Maravilha, num amistoso contra o Benfica, tabelou, driblou dois zagueiros, deu um toque, driblou o goleiro e só não entrou com bola em tudo porque teve humildade. Eu achava que já tinha visto de tudo, mas eu nunca vi um jogador ser tão xingado, tão espezinhado e tão perseguido quanto o coitado do Luan. Deu vontade de ir a todos os jogos do Palmeiras em que ele estiver em campo, porque é diversão garantida.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Volta à infância.
Comecei a frequentar estádios de futebol na companhia de meu pai. Como eu era bem pequeno e ele muito comodista (a quem será que eu puxei?), íamos nas cadeiras perpétuas emprestadas por um grande amigo do velho. O portador daquelas cadeiras tinha direito a deixar o carro no estacionamento do Maraca, além de lugares marcados e privilegiadíssimos acima das cabines de rádio. Quando meus irmãos mais velhos adquiriram a necessária paciência pra me levar, meu pai passou o bastão, e comecei a ir com eles. Só que aí era na arquibancada, e na torcida do Fluminense. Passei a infância e a pré-adolescência assistindo aos jogos na torcida tricolor, incluindo Fla-Flus. Ou seja: sou rubro-negro por convicção e insistência, quase que contra tudo e contra todos. Hoje à noite, a experiência se repetirá. Conduzido pelos amigos palmeirenses Gobato e Kride, farei minha estreia no Pacaembu, um dos templos do futebol brasileiro, que absurdamente não receberá jogos da Copa do Mundo de 2014. (Em breve, post sobre essa lamentável tentativa de europeizar nossos estádios. Podem me cobrar.) E estarei resignadamente instalado no meio da torcida adversária, como nos tempos de infância. 
Desde que vim para São Caetano, em 2005, nunca mais fui a um estádio de futebol e passei a considerar o pay-per-view a maior invenção da humanidade. Mas, incentivado por Kride e Gobato, hoje abandonarei o sofá de onde assisti confortavelmente às conquistas dos títulos estaduais de 2007, 2008, 2009 e 2011, da Copa do Brasil de 2006 e do Campeonato Brasileiro de 2009. Sofá de grandes recordações. Mas vamos lá. Achei que eu poderia encerrar minha carreira de torcedor sem ver ao vivo um certo atacante vestir a camisa nove rubro-negra, mas os caras me convenceram. Kride trouxe para o trabalho, inclusive, a camisa do último título palmeirense importante. Tá meio encardida, o verde tá quase amarelo, tem uns furinhos aqui e ali, mas tudo bem. Tem história. 
Dependendo do inchaço da minha cabeça, amanhã eu conto como foi.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Dunga deve estar rindo à toa.
Se futebol é resultado, a seleção do Mano Menezes só tem um jeito de ganhar da seleção do Dunga: conquistar a Copa do Mundo de 2014. Dunga terminou as eliminatórias em primeiro lugar, venceu a Copa América e a Copa das Confederações. Mano já começou com uma vexaminosa eliminação nas quartas de final da Copa América. Além disso, a derrota para o Paraguai serve para realimentar um assunto devidamente enterrado, mas que não custa nada a gente lembrar: o fato de Neymar e Ganso estarem no time não significa que vamos ganhar tudo. Sou fã dos dois, acho que ambos são titulares absolutos, mas futebol não é vôlei e a presença deles não é sinônimo de vitória na certa. Coerente na sua arrogância e na sua teimosia, Dunga foi crucificado por não ter levado Neymar e Ganso, e ontem a gente viu que esse talvez não tenha sido o maior dos nossos problemas. Pra quem gosta de ver futebol além dos resultados, não chegamos a jogar mal, mas a verdade é que ainda não temos time. E a dúvida é: teremos? André Santos, Lucas Leiva e Fred são bons jogadores, mas não são jogadores de seleção brasileira. Insisto na tese de que na seleção a gente não pode ter eterna paciência: entrou, tem que desempenhar. Raí jogava muito e era capitão do time, mas claudicou na Copa de 94, saiu e não voltou mais. Em 98, Giovanni viajou com a expectativa de que poderia ser o craque da Copa. Jogou mal e foi omisso nos primeiros quarenta e cinco minutos, Leonardo entrou no lugar dele e Giovanni foi esquecido. Pode ser cruel, mas seleção brasileira é assim, e o pênalti cobrado pelo Elano deixou claro que ali o buraco é mais embaixo. Já vi Elano cobrar dezenas de pênaltis pelo Santos, todos com muita segurança, categoria e consciência. Ontem, foi aquele absurdo. Por isso, respeito demais a discordância do meu mestre Paulinho Azeredo, mas também acho que já deu para o Alexandre Pato. Ontem ele jogou como o vejo jogar sempre: quase fez dois gols, quase acertou dois cruzamentos, quase dominou duas bolas que o deixariam cara a cara com o goleiro. Quase. Sempre. (Por favor, não me venham falar do Campeonato Italiano. Lá, com dois ou três reforços razoáveis o Avaí briga pelo título.) Ramires e Robinho melhoraram bastante, fizeram boa partida, mas também tenho minhas dúvidas. O problema do Robinho é que, apesar de procurar o jogo e se movimentar bastante, ele não resolve. E atacante tem que resolver. Mano Menezes é inteligente, articulado, educado, estudioso, mas tem que arrumar um jeito de fazer o time acontecer. A seleção brasileira não precisa de um técnico bom de entrevista. A seleção brasileira precisa de um técnico que convoque certo, escale o melhor time e o faça jogar bem e ganhar.  Só.
Sabe o que aconteceu ontem, na partida entre São Paulo e Internacional? O D’Alessandro não entrou no jogo. Pois é. De novo. E como o Oscar não estava em campo, o Inter não conseguia passar da defesa para o ataque e foi completamente dominado pelo São Paulo, que fez uma partida muito segura e definiu as coisas já no primeiro tempo. No segundo o Inter parecia melhor, mas que nada: em nenhum momento o São Paulo perdeu o controle do jogo, e venceu com muita tranquilidade. Agora eu tô entendendo que o problema do São Paulo não era a ausência do Lucas. O problema do São Paulo era a presença do Carpegiani.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Jogo de gente grande.
Não sei se o Magalha gostou ou se queria goleada – depois dos cinco a zero, o homem ficou mal acostumado –, mas Corinthians e Inter foi um jogo muito bom. Dois times fortes, com respeito mútuo, muita marcação, neguinho chegando junto, poucas oportunidades, mas uma partida muito bem jogada. Finalmente, Emerson deu o ar de sua graça no Corinthians e entrou bem demais, com bastante movimentação, partindo pra cima e dando trabalho. A torcida corintiana pode acreditar: o verdadeiro Emerson é esse aí. Fez o que Liédson não conseguiu enquanto esteve em campo, não sei se por ter sentido alguma coisa ou se por ter pipocado a partir de uma entrada dura do Bolívar logo no comecinho. Será? Vamos ficar de olho no Liédson. Willian foi outro que fez uma excelente partida, e pelo menos até agora ele é, disparado, a melhor relação custo-benefício do Campeonato Brasileiro. 
O Internacional tem um time forte, um bom elenco, continua sendo candidato ao título, mas tem faltado ao time alguma coisa que não sei bem o que é. E acho que nem eles sabem, já que há algum tempo é um dos poucos clubes bem estruturados do nosso futebol, e no entanto não levanta o Brasileirão há mais de trinta anos. Uma das coisas estranhas no time do Inter é o D’Alessandro. Vi o time jogar contra o América Mineiro, o Vasco e o Corinthians, e toda vez que eu vejo o Inter jogar ouço o comentarista dizer que “o problema do Inter é que o D’Alessandro precisa entrar no jogo”. Ou é muita coincidência, ou o D’Alessandro não entra nunca no jogo. 
Para que não pensem que esqueci: vou falar de Copa América quando o torneio começar. Portanto, a partir de segunda ela entra na pauta do blog.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Panela velha, comida boa. 
O Campeonato Brasileiro do ano 2000 foi decidido entre Vasco e São Caetano. O primeiro jogo, disputado em São Paulo, terminara empatado em um a um. O segundo chegou a começar em São Januário, mas durou menos de vinte e cinco minutos, porque parte do alambrado do velho estádio desabou e a partida teve que ser interrompida. Aí houve o embaço. 
Quem tiver acesso aos arquivos de imagens daquele jogo pode reparar em algo que não foi devidamente valorizado pela mídia, mas me pareceu decisivo no embrulho todo. No início da confusão, lembro de uma entrevista a um repórter de campo, que perguntara sobre as chances da partida continuar, em que Eurico Miranda disse claramente: “Primeiro, o atendimento aos feridos; depois vamos pensar no jogo.” 
Entretanto, passaram-se poucos minutos, veio um cara que até hoje eu não sei quem é e cochichou alguma coisa no ouvido do espaçoso dirigente vascaíno. A partir dali, Eurico passou a agir de modo totalmente diferente, forçando a retirada dos feridos na marra e querendo a continuação do jogo a qualquer custo. Fiquei com a impressão de que aquele cara deve ter falado a Eurico algo sobre a possibilidade jurídica do Vasco perder os pontos, o que daria o título ao São Caetano. Tal hipótese cresce por causa da firme recusa do time aqui do ABC em seguir jogando. E aí a situação se inverteu: pressionado por Eurico – que chegara a desafiar o governador Anthony Garotinho, que ordenara a suspensão do jogo, dizendo que “aqui em São Januário o governador não manda nada” – o juiz tentou recomeçar a partida, mas o São Caetano não voltou a campo. Eurico mandou, então, que os jogadores vascaínos passassem a comemorar o título, e começou a circular a informação de que o time do Vasco iria festejar numa churrascaria da Barra da Tijuca. (Não me perguntem por que, mas jogador carioca só comemora título em churrascaria da Barra da Tijuca.) 
O mesmo repórter que entrevistara Eurico chegou perto de Juninho Pernambucano e perguntou se ele iria participar das comemorações. Seco, ético, sério e sem querer muita conversa fiada, Juninho respondeu: “Eu vou pra minha casa.” 
Eu gosto do Juninho Pernambucano. Muito bom meia-direita, campeão brasileiro pelo Vasco em 1997 e em 2000, campeão da Libertadores em 1998, sempre jogou com categoria, dedicação, raça e lealdade, poderia perfeitamente ter integrado a seleção brasileira de 2002 (não teria sido, por exemplo, melhor do que o Kléberson?) e foi engolido pelo tsunami que varreu nossa seleção em 2006. 
Um cara bacana, um tremendo profissional, e creio ser justo colocá-lo na lista dos dez maiores ídolos da história do Vasco. Juninho Pernambucano não esteve mal na reestreia contra o Corinthians, jogou bem contra o Internacional e pode dar ao time equilíbrio e qualidade. Não acredito, num campeonato longo e duríssimo como o Brasileiro, em um meio-campo formado por Rômulo, Juninho Pernambucano, Felipe e Diego Souza (ou Bernardo). Apesar das louváveis intenções do treinador Ricardo Gomes, nessa escalação aí falta gente pra correr e marcar, e assim como o futebol nunca deve ser só defesa, também não pode ser só ataque. 
 Mas – os camaradas flamenguistas que me perdoem e não me estranhem –, torço pra que Juninho Pernambucano acerte. Sei lá. Acho que ando meio sentimental depois do nascimento do Martin. 
PS importante: ainda sobre a decisão do ano 2000, o bom senso fez com que uma nova partida fosse disputada, dessa vez no Maracanã. O Vasco venceu por três a um e ganhou o título na bola. O primeiro gol foi do Juninho Pernambucano.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Conselho de pai.
Uma das coisas que aprendi nesses quase trinta anos de paternidade é que é muito difícil dar conselhos, apontar caminhos, interferir na vida dos filhos. O mais importante é oferecer as condições para que eles aprendam a caminhar sozinhos. Dei sorte, pois nunca tive problemas. Mas há momentos em que a gente não aguenta, e estou diante de um deles. Agora que meu neto acaba de nascer, acho que minha obrigação de pai e avô é sugerir ao Lucas que entre imediatamente em contato com o empresário do zagueiro Renato Silva. Não que eu queira que o Martin seja boleiro, mas um cara que consegue encaixar o Renato Silva num clube de futebol certamente irá colocar o garoto em qualquer empresa de ponta da atividade que ele seguir. Renato Silva é lento, desengonçado, inseguro, sem habilidade, e mesmo assim jogou no Flamengo, no Fluminense, no Botafogo, no São Paulo e hoje assinou contrato com o Vasco. Sei que não devia me meter nessa história, Lucas, mas pense com carinho. Com esse empresário aí cuidando dos interesses do Martin, o futuro do moleque está mais do que garantido.

Sem o Lucas o São Paulo não sobrevive?
Se já é difícil pra qualquer clube brasileiro manter no time titular um jogador igual ao Lucas, ter algo parecido na reserva é impossível. Sendo assim, é óbvio que toda vez que o Lucas não estiver em campo, o São Paulo vai sentir. Até aí tudo bem, mas o São Paulo precisa encontrar um jeito de jogar sem o Lucas. Pode até não ter rapidez, brilho e surpresa, mas tem que jogar. Não vi as partidas com o Corinthians e o Botafogo, mas contra o Flamengo o que entrou em campo foi um arremedo de São Paulo. Engraçado que, se fosse há três ou quatro anos, eu teria assistido ao mesmo jogo de anteontem com a certeza de que, apesar do domínio, o Flamengo não chegaria ao gol e que a qualquer momento o São Paulo acharia um jeito de matar a partida. Quarta-feira foi diferente. Estava mais ou menos na cara que, mesmo não concluindo tanto, o Flamengo ia acabar fazendo seu golzinho e que isso bastaria, porque o São Paulo não mostrava a menor competência ofensiva. No primeiro tempo houve um contra-ataque desperdiçado pelo Fernandinho, mas que foi criado muito mais pela desorganização rubro-negra do que por competência tricolor. Alguém deu um bico pra frente, Fernandinho saiu correndo atrás da bola e foi parar na cara do gol. E no segundo tempo houve a jogada de malabarismo do Rivaldo, que conseguiu matar no peito uma bola difícil, pra depois concluir com um bonito sem-pulo. Do meio pra frente, o São Paulo foi apático, frio e facilmente dominado. Do meio pra trás, o time aguentou o quanto pôde, mas millagre ninguém faz. Aí alguém pode argumentar: sim, mas o Lucas faz parte do time. É verdade. Só que, além da Copa América e de eventuais amistosos da seleção, o Campeonato Brasileiro desfalca por contusões, cartões etc, e o São Paulo não pode ir do céu ao inferno toda vez que o Lucas ficar de fora. A não ser que disputar o título não seja, assumidamente, uma pretensão do clube para esse ano.
O Flamengo chegou pouco no gol do Rogério Ceni, mas é preciso reconhecer que o time mostrou um jeito diferente. Mesmo com Airton ainda perdidão ali no meio, só a presença de um primeiro volante já melhora a produção do Williams – desde que o primeiro volante não seja o Fernando, claro – e deixa o time menos vulnerável. Júnior César também melhorou as coisas ali pelo lado esquerdo, e o time parece com mais qualidade e consciência. Além disso, algumas coincidências têm conspirado a favor. Uma: a briga de Alex Silva com o São Paulo, que pode fazer com que o zagueiro vá parar na Gávea, pra jogar numa posição em que há necessidade de reforço urgente. Alex Silva não é o zagueiraço que a torcida do São Paulo julgou um dia que ele fosse, mas é bom zagueiro. Outra: a convocação de Negueba e Diego Maurício para a seleção subvinte vai obrigar o clube a contratar mais gente para o ataque. O Flamengo vem forçando a barra pra cima do Kléber, não sei se já morreu o assunto André, Vágner Love é sempre citado. Mas eu não preciso de nada disso. Acho que até meu neto Martin, com pouco mais de um mês de idade, daria mais trabalho às zagas adversárias do que o sujeito que veste a nossa camisa nove.
Várias provas já foram apresentadas, aqui mesmo neste humilde blog, mas a derrota de cinco a zero para o Corinthians, enquanto eu estava na França, acaba de vez com a absurda história de que sou eu o pé-frio que atrapalha o São Paulo. Assunto encerrado. Entretanto, agora corro outro risco: talvez não escape da acusação de ser o pé que esfria as atuações do Cagalhão Parrudo. Thomas e Saud que não me venham com essa gracinha. Dou até um desconto: contra o São Paulo, o Coisa Ruim deu um chute cruzado perigoso, que Rogério Ceni defendeu bem, e quase fez o gol no lance que Rodrigo Souto salvou em cima da linha. Pouco, claro, mas incomparavelmente mais do que eu já vi ele fazer em todos os outros jogos do Flamengo, quando só tocava na bola pra dar a saída. De qualquer forma, faço questão de reforçar: bendito seja o Nei Franco, que convocou Negueba e Drogbinha e, com isso, pôs o Flamengo na obrigação de resolver o problema imediatamente.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Como o blog não recebeu proposta alguma de nenhum novo-rico russo precisando lavar dinheiro, vamos em frente.
Você está flanando embasbacado pela Place des Vosges, no Marais, quando de repente encontra uma placa avisando que naquela casa morou Victor Hugo. Aí você pensa: era aqui que o cara acordava, abria as janelas do sobrado que dá para os jardins da praça, saía pra comprar suas baguetes e, logo depois do café da manhã, começava a escrever bobagens como “Os Miseráveis”, “O Corcunda de Notre Dame”, coisinhas simples. 
Ou então você compra os seus dois sabores diários de sorvete Berthillon na Île de Saint-Louis, sai passeando extasiado pelas ruas de paralelepípedo do bairro e dá de cara com o aviso de que aqui morou Camille Claudel. 
Resumo: certas coisas só podem acontecer quando você está em Paris. 
Mas tem mais. Só quando você está em Paris, e bem distante da sua vida verdadeira, o Muricy é campeão da Libertadores. Ou o São Paulo toma cinco gols em quarenta e cinco minutos. Ou o Cagalhão Parrudo marca três gols em dois jogos, sendo dois deles de centroavante esperto, desses que sabem se mexer na área e oferecer a jogada certa pra quem vem com a bola dominada. 
Comecemos por Muricy. Logo no início da Libertadores, olhando a relação de equipes participantes sem conseguir encontrar nela o Boca e o River, escrevi aqui no blog que a Libertadores estava se transformando num minicampeonato brasileiro. Até porque tínhamos seis dos nossos clubes na disputa, quando já houve um tempo em que entrávamos com apenas dois. E mesmo com o triste episódio da Quarta-feira Sangrenta, quando Fluminense, Cruzeiro, Internacional e Grêmio foram eliminados, não deu outra. Sem querer desmerecer o Santos ou Muricy, talvez nunca tenha sido tão fácil ganhar uma Libertadores, dada a disparidade de qualidade técnica e a ausência de rivalidades locais. Mais do que para qualquer outro time, a Quarta-feira Sangrenta caiu do céu para o Santos. 
Quanto ao resto, e mesmo tendo visto apenas os gols dos jogos, é desnecessário dizer que os cinco a zero foram absolutamente atípicos (falei sobre isso quando o Palmeiras tomou aquela coça de seis do Coritiba, pela Copa do Brasil) e que o Praga de Mãe ainda precisa fazer muita coisa pra que a torcida do Flamengo possa esquecer esses dez meses de lentidão, passividade e inoperância. 
Ah, faltou a Copa América, muito bem lembrada pelo Vinicius na caixa de comentários. Mas vamos esperar que ela comece.