sexta-feira, 23 de julho de 2010

Descendo do muro.
Existem alguns assuntos dos quais esse blog foge descaradamente. Um deles é essa comoção nacional em torno da escolha do novo técnico da seleção. Não consigo dar a técnicos de futebol essa importância que eles passaram a ter, sobretudo aqui no Brasil. E o engraçado é que, pelo talento dos jogadores brasileiros, o que menos deveria importar pra nós é, justamente, o técnico. O cara treinar a seleção da Suécia e levá-la a uma semifinal da Copa, como aconteceu em 94, é digno de registro e aplauso. Aqui no Brasil é obrigação. Reconheço que, em certos momentos e em jogos específicos, a importância do treinador aumenta, mas continuo acreditando que técnico bom é o que não atrapalha. 
Falar nisso: no último programa Central da Copa, da Globo, Ronaldo Fenômeno participou como convidado. Ele disse ter sido dirigido, durante um ano, por Vicente del Bosque, e que o cara é fantástico. Tranquilo, divertido, boa-praça. E fechou mais ou menos com essas palavras: "Você precisa ver a preleção dele. Dura três minutos. Pergunta se tá tudo ok, e manda pro jogo." Ronaldo ainda aproveitou pra dar uma pedalada nos técnicos que dão preleções de quarenta minutos. Ou seja: não tem nada dessa baboseira de que a gente é guerreiro, a gente é sangue bom, a gente é família. Se uma seleção chega à final da Copa do Mundo e os jogadores precisam de uma palestra de autoajuda para ser motivados, algo está muito errado. 
Parece que a preferência nacional é mesmo pelo Felipão, mas eu tenho minhas dúvidas. Felipão conquistou títulos importantes com Grêmio e Palmeiras, foi campeão do mundo em 2002, mas depois disso não arrumou mais nada. Levar Portugal à final da Eurocopa é um mérito, mas perder a final da Eurocopa para a Grécia, em Lisboa, é um vexame. Chegar com Portugal ao quarto lugar na Copa do Mundo é bacana – mas é quarto lugar, né? Fracassou no Chelsea, ninguém ouviu falar de nada lá no Uzbesquistão. Não custa lembrar que, ao ser convidado para comandar a seleção brasileira na Copa de 2006, Parreira também tinha vencido um Mundial, o de 94. E deu no que deu. Pode ser o Felipão? Pode. Mas só pode ser o Felipão? Não. 
Leonardo é o Dunga bonitinho e com bons modos. Chegaram a falar em Dorival Jr., certamente pelo primeiro semestre do Santos. Já devem ter parado de falar no Dorival Jr., por causa do segundo semestre do Santos. Gosto do Mano, mas a verdade é que o Mano ainda não tem um título de importância indiscutível. Ganhou estaduais, que os próprios clubes têm se encarregado de afundar cada vez mais na lama, levou times da segunda para a primeira divisão, que é o melhor job que um treinador de futebol pode querer, e levantou a Copa do Brasil com o Corinthians. Troféu que o Péricles Chamusca também ergueu com o Santo André, Vagner Mancini com o Paulista de Jundiaí e Nelsinho com o Sport. Não credencia ninguém. Repito: acho Mano Menezes um bom técnico, mas ainda tem pouca coisa no portfolio. Como não posso falar do Muricy, para não atrair a ira eterna e as pragas violentíssimas do meu grande amigo Jaime Agostini, meu voto vai para ele, o insuperável, o magnânimo, o genial, o charmoso, o mestre das maracutaias e irresistível conquistador de manicures. 
Chega de ficar em cima do muro: para técnico da seleção brasileira, o blog vota no professor doutor Vanderlei Luxemburgo.

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