quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A discussão sobre o Atlético Mineiro volta a ser assunto.
O Thomas ontem tuitou um link do Mauro Cezar Pereira – um dos poucos caras que falam de futebol na televisão e que é possível ouvir – defendendo uma tese que ele, Thomas, já levantou aqui no blog: a da falsa grandeza do Atlético Mineiro. 
Pra mim é difícil reconhecer a suposta pequenez atleticana, porque vi esse clube ser grande toda vida. Faz tempo, é verdade, mas vi. Montou um time razoável que conquistou o primeiro título brasileiro em 71, montou outro um pouco melhor que perdeu a final de 77 nos pênaltis e montou um timaço sensacional que só não foi campeão em 80 por ter encarado na decisão uns caras que atendiam pelos nomes de Zico, Júnior, Carpegiani, Andrade, Tita e Júlio César. 
Seria simples dizer: ah, não ganhou, que se dane, quem é bom tem que ganhar e fim de papo. Calma aí. Futebol e merecimento são água e azeite, ok, mas nem por isso precisamos aprofundar as injustiças. Certas coisas têm que ser relativizadas, pra gente não ficar feito alguns corintianos que, numa comparação estapafúrdia, endeusam o Marcelinho Carioca e desdenham do Rivellino, porque o primeiro ganhou mais títulos pelo clube. Não vou me rebelar contra os fatos, mas eu queria ver o Marcelinho ganhar os títulos que ganhou jogando contra quem o Rivellino jogava: o Santos de Pelé. Repito: se não contextualizarmos, ampliamos as injustiças. Ou alguém tem dúvida de que o Atlético de oitenta seria campeão na maioria das outras edições do Brasileiro? 
O argumento do Mauro Cezar é bem montado, mas permite discussões. Levando o raciocínio do Mauro pro Rio de Janeiro: dos dez últimos títulos cariocas, só dois foram conquistados pelo Botafogo. Assim como o Atlético Mineiro, o clube também foi campeão brasileiro apenas uma vez, em 95, e chegou a mais duas finais (enquanto o Atlético chegou a mais três). Além disso, também passou uma temporada na triste segundona. O Botafogo é pequeno? Não, de jeito nenhum. 
Por outro lado, sou obrigado a admitir que não é por ter sido grande um dia que um clube será grande pra sempre. O Ameriquinha, do Rio, já foi grande. Ganhava títulos, revelava bons jogadores, impunha respeito. A Portuguesa de Desportos, aqui em São Paulo, idem. Tem uma hora em que o clube perde o freio e a descida da ladeira passa a ser inevitável, mas eu ainda não consigo ver o Atlético Mineiro nesse caminho irreversível na direção do inferno. 
PS: pra ler o artigo do Mauro Cezar Pereira, é só clicar aqui.

6 comentários:

  1. comparar o atlético mg com o botafogo pra dizer que ele é grande é o mesmo que comparar o santo andré com o araçatuba. ou seja, uma merda com a outra. atlético mg é pequeno, botafogo é pequeno, o fluminense é pequeno, assim como coritiba, atlético pr, bahia, vitória, sport tb são. ah, mas tem time aí q já foi campeão brasileiro, campeão do brasil, já chegou em final de libertadores. time pequeno tb consegue essas coisas e é isso que faz o futebol ser do caralho. time grande é o são paulo, palmeiras (não sei até qdo), corinthians, santos, flamengo, vasco, cruzeiro, grêmio e inter. não adianta puxar a história, as lembranças de grandes jogadores que passaram nessas equipes. portuguesa, america rj, são bento, ferroviária, remo, nacional do amazonas e tantos outros times pequenos tiveram seus momentos e só.

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  2. Repensando toda essa discussão do time grande / time pequeno, a gente é mesmo muito maniqueísta. É necessário classificar? O fato é, recentemente, o Atlético-MG não tem se comportado como tal. Mesmo naquele Brasileiro de 2009 em que liderou boa parte, era visto como o jabuti no coqueiro (está no lugar errado, ninguém sabe como foi parar lá, mas lá não ficará). De 20 anos pra cá, não dá pra encarar o Atlético MG como grande. O Botafogo, arrisco-me, não se comporta como tal desde a década de 60, exceto pelo Brasileiro de 95. Ambos, na minha opinião, já têm ocupado um pelotão intermediário, junto com Atlético PR, Coritiba, Sport, Goiás e Vitória (reparem q os 3 últimos, apesar de terem frequentado bastante a 1ª divisão recentemente, atualmente estão na Segundona).
    Jorge, outra questão interessante, mas que provavelmente fará mais sentido voltarmos à discussão no início do ano que vem, são os Estaduais, em especial, o Carioca. Com os 4 "grandes" do Rio provavelmente disputando a Libertadores (assim esperamos) quem vai se interessar pelo Estadual?

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  3. Isso vai gerar discussões pra mais de metro....
    Primeiro temos que identificar o que é um clube grande. Torcida? Títulos? Difícil heim. O Galo tem uma torcida enorme em Minas, fanática, mas a nível nacional, desde 1987 não fez mais nada, pelo que me lembre uma semi-final com o Flamengo em que o Renato Gaúcho acabou com o jogo no Mineirão e o Atlético tinha como técnico Telê Santana. Desde então, se estivesse aqui em São Paulo ou no Rio poderia ser comparada respectivamente a Portuguesa e América, pois teria que dividir sua torcida com os rivais e não só com o Cruzeiro. O Santos mesmo, depois de Pelé, por décadas não ganhou nada....Paulista de 78, 84....que mais? Começou a voltar a ser grande em 2002, mas em termos de torcida não há muito o que comparar com os demais aqui da capital. Quem explica o Corinthians? 23 anos na fila e multiplicou sua torcida. Então? Ser grande é conquistar títulos?
    É conversa para um boteco e muita cerveja gelada. E falando em Marcelinho, citado pelo Murta...é um vagabundo, safado, etc.....e concordo que só ganhou títulos por conta dos times que o Corinthians montou....Aí sempre vem a pergunta...quem foi melhor? Sócrates ou Raí? Tem gente que diz que foi o Raí pelos títulos que ganhou com o São Paulo....mas para mim, era apenas um bom atleta, enquanto Sócrate era gênio.
    Abraços a todos.

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  4. Eu acho que quem tem razão nessa história é o Luiz Eduardo. É muito difícil fechar esse critério. O Fluminense deixa de ser grande por ter caído pra terceira divisão? Mas eu me atrevo a dizer que, se o Fluminense não fosse grande, não teria escapado de cair em 2009. Grande é quem nunca caiu? Então o Cruzeiro corre o risco de deixar de ser grande no final desse ano. E o ponto-chave do argumento do Luiz está no histórico do Santos. Como ele mesmo diz: o Santos foi grande até o Pelé parar. Depois teria sido mais ou menos até a geração de Pita e Juari. De lá até 2002, virou pequeno. E voltou a ser grande com Robinho e Diego. Quer dizer, não é assim, né?
    Também concordo com o Luiz Eduardo que isso é conversa pra boteco. Comecemos a preparar, então, a Segunda Edicão do Blog-Boteco. Aguardem.

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  5. oq faz um empresa ser grande? é oq ela faz. oq ela produz. oq ela conquista. oq fluminense, botafogo, todos os altéticos, coritiba, bahia, sport e outros times tem feito? ah, o fluminense é o atual campeão brasileiro. lembre dos 6 pontos entregues aqui em sp e q no futebol o pior tb ganha. qto ao santos, todas essas retomadas mostram o pq ele é grande. e time grande tb cai, sim. mas até a 3ª só time pequeno.

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  6. O argumento da terceira divisão é bom, o dos tais seis pontos entregues não.
    São Paulo e Palmeiras entraram desinteressados e jogaram pedrinha, é fato, mas é muita pretensão (de são-paulinos e palmeirenses) dizer que o Fluminense só venceu por causa disso.
    O Flu fez um grande campeonato e passou o tempo inteiro disputando pau a pau com Corinthians e Cruzeiro, enquanto São Paulo e Palmeiras fizeram um Brasileirão tão ruim que sequer pegaram Libertadores. O São Paulo ficou em 9º lugar, o Palmeiras em 10º.
    O Fluminense terminou com 16 pontos a mais que o São Paulo e 21 a mais que o Palmeiras. Diferença de campeonato espanhol.
    Aqueles dois jogos foram muito mais fáceis do que deveriam ter sido, lógico, mas o Flu ganharia de qualquer jeito.
    Meu grande amigo Jaime: deixe o chororô pra Lara, que já tá vindo por aí.
    Abração.

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